Ronco - Não durma com esse barulho
Uma pessoa que ronca incomoda muita gente, mas a apnéia do sono, que é o distúrbio causador do ronco, deveria incomodar muito mais; ela pode aumentar em muito a chance de desenvolvermos doenças que matam, como o infarto do coração e os derrames cerebrais.

Por Agné Cervo Peres, Roseli Luppino Peres e Gabriella Luppino Peres*

Roncar é um incômodo tanto para o roncador quanto para as pessoas que dormem com ele. Mas devemos lembrar que outros problemas graves de saúde como a hipertensão, sobrecarga cardiopulmonar, sonolência durante o dia, baixo rendimento intelectual e no trabalho, cansaço e irritabilidade persistentes, arritmias cardíacas e até AVC, podem estar associados ao ronco e à Síndrome da Apnéia do sono e podem ser evitados quando se faz o tratamento adequado.
Cerca de um em cada cinco adultos ronca. O responsável por esta alteração do silêncio noturno é o véu palatino, que é uma mucosa reforçada com fina camada de músculos. Ela separa a garganta da cavidade nasofaríngea e pode sofrer ondulações durante a respiração. O palato mole ou véu palatino não é a única causa para o surgimento do ronco e da apnéia, outros fatores como a velocidade e direção das aspirações podem provocar vibrações fortes no véu palatino tendo como conseqüência o aparecimento do ronco. Outras causas que determinam o ronco são a obesidade, alcoolismo, tabagismo.

A apnéia do sono é a obstrução das vias aéreas por alguns momentos durante a noite, pela flacidez dos tecidos da garganta, impedindo a respiração por alguns segundos, várias vezes por noite, e o ronco é a vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa
Uma das causas da forte concentração da aspiração pode ser um estreitamento das vias respiratórias. Por isso se ronca mais quando se está resfriado, com as amígdalas inflamadas e o nariz entupido.

Durante o sono, os músculos da garganta relaxam e, em algumas pessoas, provocam um estreitamento da passagem de ar, o que resulta numa respiração mais profunda para forçar a passagem e permitir que o ar entre nos pulmões. Essa respiração mais profunda e forçada através da boca provoca vibrações ruidosas do palato mole.

Um fator que com freqüência colabora para o aparecimento do ronco e da apnéia é a atresia bucal, com o vazio bucal diminuído, a língua se posiciona posteriormente em relação à sua postura fisiológica, provocando um estreitamento das vias respiratórias agravando o problema do ronco. Esses problemas são freqüentes no homem a partir dos 30 anos e nas mulheres a partir da menopausa.

O tratamento através de aparelhos bucais que devolvem a correta dimensão têm ganho importância no tratamento desses problemas, pois a adaptação ao uso é fácil e a eficácia desses aparelhos vem ganhando espaço como uma das principais formas de tratamento. O aparelho funciona fazendo a mandíbula avançar e mantendo-a firmemente nessa posição anteriorizada, o que faz com que os tecidos da garganta se “estiquem”, aumentando a abertura para a passagem do ar, este avanço da mandíbula estimula o reflexo da musculatura da faringe a ficar mais tensa, mais firme, evitando o ronco.

Os aparelhos são construídos de forma a devolver o correto posicionamento da mandíbula, possibilitando que a passagem do ar fique o mais desobstruída possível.
Existem limitações que devem ser avaliadas com o auxílio de um médico especializado no tratamento de distúrbios de sono e de um exame, a polissonografia. Para fazer esse exame, o paciente dorme na clínica uma noite, sendo monitorado em todos os aspectos do seu sono, como contrações musculares, problemas respiratórios e cardíacos entre outros.

O ronco é o problema mais incômodo, mas a apnéia do sono é mais importante e precisamos nos preocupar com ela.Não morremos sufocados em uma crise de apnéia, porque o cérebro controla os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue e, quando eles se alteram, acordamos e voltamos a respirar. Mas a apnéia pode aumentar em muito a chance de desenvolvermos doenças que matam, como o infarto do coração e os derrames cerebrais.
Os principais sintomas da apnéia do sono são o ronco e a grande sonolência diurna.

Fonte:
*Dr. Agné Cervo Peres, Dra. Roseli Luppino Peres e Dra. Gabriella Luppino Peres
são dentistas especialistas em Ortopedia Funcional dos Maxilares.
Fone/Fax: (11) 3661-8533 - sistemicaodont@aol.com



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