Odontologia:
Postura bucal interfere na postura corporal
Muitos dentistas têm observado que, após a instalação de uma prótese ou da realização de algum trabalho odontológico maior, o paciente relata que dores de cabeça e dores cervicais desapareceram.

Roseli Luppino Peres

Achava-se que a boca era um sistema separado do restante do corpo. Hoje sabe-se que, quando a boca está em desequilíbrio, pode gerar problema em todo o corpo. Para se ter saúde é preciso obter equilíbrio em três fatores básicos: o emocional, o químico (funções orgânicas) e o postural.

Estes três fatores formam um triângulo eqüilátero, cujos lados têm uma interdependência. Quando um deles está em desequilíbrio, os outros dois também o estarão. O mesmo ocorre quando se equilibra um destes fatores. Este triângulo é chamado de “triângulo da saúde”.

Vamos focar apenas o fator postural, no qual o dentista, o médico ortopedista, o fisioterapeuta e os terapeutas corporais, de maneira geral, atuam conjuntamente.

A mandíbula é um osso que está preso ao crânio por músculos e ligamentos. Quando temos um desequilíbrio na posição da mandíbula, podemos ter uma alteração na posição do crânio, o que vai interferir na relação deste com a coluna cervical, favorecendo um desequilíbrio em toda a coluna vertebral. Há casos documentados mostrando que um problema postural bucal pode levar a problemas posturais gerais, como vemos nas imagens que ilustram a matéria.


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A foto 1 mostra um problema de escoliose cuja origem está na má postura bucal. O paciente nos procurou por indicação de um médico ortopedista e o único tratamento realizado foi a recuperação da postura bucal. Existem testes que são realizados no consultório que podem nos mostrar como saber quando o problema de má postura geral é causado pela boca ou quando este problema é corporal, caso em que o paciente deverá ser encaminhado ao médico ortopedista ou ao fisioterapeuta.

Para que se compreenda melhor como essa interferência ocorre, é importante lembrarmos que nosso corpo é sustentado por um sistema que envolve o sistema nervoso e o sistema muscular, os dois juntos sustentam nossa postura corporal.

Todos os músculos estão interligados, a isso se chama de cadeias musculares. Por isso, um problema superior ( na região da boca, por exemplo) pode, através da cadeia muscular, levar a desequilíbrio a longa distância (até os pés), por uma questão de adaptação podemos ter conseqüências dolorosas por todo o corpo.

Muitos dentistas têm observado que, após a instalação de uma prótese ou da realização de algum trabalho odontológico maior, o paciente relata que dores de cabeça e dores cervicais desapareceram. Só não relatam dores mais distantes, como dores nas pernas e outras, porque erradamente se considera que a boca não tem nada a ver com essas regiões do corpo.
Devemos lembrar também que muitos problemas emocionais podem alterar a postura corporal e também levar a problemas odontológicos.

Quando se equilibra o sistema ao qual a boca pertence, o Sistema Estomatognático, podemos favorecer o equilíbrio respiratório, muscular, devolver a função bucal e, com isso, podemos ajudar o paciente a recuperar sua potência física. Muitos atletas hoje percebem que sua capacidade física melhora quando usam aparelhos ou placas reposicionadoras durante os exercícios físicos.

Não atletas também percebem que sua capacidade física melhora muito.
O tratamento para recuperar o equilíbrio postural bucal deve ser iniciado logo que se percebe que a criança está desenvolvendo algum problema, para que este não se instale. O trabalho preventivo é fundamental para o crescimento saudável da criança. O tratamento é indicado para crianças na mais tenra idade, como prevenção de problemas futuros até para aqueles que já perderam seus dentes naturais, de modo que se possa recuperar as dimensões e a postura corretas perdidas. Para este reequilíbrio são usados todos os tratamentos desenvolvidos pela odontologia, como ortopedia, ortodontia, próteses, restaurações etc.

O objetivo do tratamento é sempre recuperar o equilíbrio local (da boca), colaborando assim para a recuperação do equilíbrio geral. Não importa a idade do paciente, o procedimento poderá sempre melhorar sua qualidade de vida. Portanto, o nosso corpo funciona como uma unidade. Quando qualquer de suas partes entra em desequilíbrio, toda a unidade estará comprometida.


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