Constrangimento.
É essa a palavra que resume o que sentem as
pessoas que sofrem de incontinência urinária,
ou seja, a perda involuntária de urina. Ao
contrário do que muita gente pensa, a incontinência
não é uma doença, mas um sintoma
causado por diferentes razões. Embora as mulheres
em todas as idades e os homens com mais de 60 anos
estejam mais sujeitos à perda de urina, esse
problema pode aparecer em qualquer fase da vida do
ser humano.
De
acordo com a fisioterapeuta e membro efetivo da Sociedade
Brasileira de Fisioterapia do Assoalho Pélvico
(Sobrafap), Cibele Rocha Maróstica, as pessoas
devem procurar ajuda médica assim que perceberem
o problema, pois existem diversas maneiras de tratar
e curar a perda involuntária de urina.
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“As
pessoas não devem se esconder e, muito menos, ter vergonha
de conversar com seu médico a respeito, o que ainda
é muito comum”, diz a especialista. “Quanto
antes procurar ajuda, maiores são as chances de reverter
o quadro”, alerta.
A perda de urina pode ser causada por fatores como uso de
alguns tipos de medicamentos, infecções e problemas
de deficiência hormonal. Cibele explica que, às
vezes, a incontinência pode estar relacionada a uma
infecção urinária, ou ainda aparecer
nas últimas semanas de gestação, por
exemplo. “Uma coisa é certa: ninguém morre
de incontinência urinária”, ressalta. “Os
problemas maiores são o abalo na qualidade de vida,
tanto emocional quanto sexual, e a exclusão social”,
comenta a fisioterapeuta.
Para
ela, o ideal é que se procure ajuda antes que o problema
torne-se muito grave ou crônico. “O bom prognóstico
depende, na maioria dos casos, da precocidade em que o paciente
procura a fisioterapia, principalmente os pacientes masculinos
prostatectomizados [que retiraram a próstata]”,
avalia Cibele. Segundo os especialistas, o primeiro passo
é o diagnóstico correto, pois as causas são
variadas e cada pessoa necessita de um tratamento individualizado.
O que é indicado para um determinado paciente pode
não servir para outro.
Atualmente,
muitos casos são tratados exclusivamente com medicamentos.
Outros, por meio de programas de fisioterapia específicos
para incontinência urinária, que variam de acordo
com a necessidade de cada paciente. A cirurgia é um
tratamento altamente eficiente e simples, que utiliza métodos
pouco agressivos e não necessita de internação.
De acordo com a médica Maria Lúcia Gonçalves,
coordenadora do Núcleo de Urologia do Hospital Universitário
de Brasília (HUB), o tratamento fisioterápico
é indicado para pacientes que sofrem de incontinência
urinária leve a moderada.
A coordenadora
explica que, dependendo do caso, é possível
até chegar à cura do problema. Segundo ela,
mesmo sem alcançar a cura, nos casos em que a incontinência
está mais avançada, a melhora no dia-a-dia dos
pacientes é fantástica. “A qualidade de
vida é a prioridade do tratamento”.
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