Gordura Trans
Esse perfil de gorduras do sangue coincide com a maior incidência da doença cardiovascular, principalmente o infarto agudo do miocárdio.


Com ela, as frituras ficam sequinhas, crocantes, irresistíveis; as tortas e bolos prontos e semi-prontos mais fofinhos, os sorvetes, mais espumosos; os chocolates e biscoitos recheados dissolvem na boca...
Com ela, os alimentos são mais facilmente estocados e transportados, tem uma maior validade e um preço mais competitivo...
Com ela, podemos reduzir o consumo de gordura saturada e colesterol...

A realidade...
“Tudo parecia seguir bem, mas a partir dos anos oitenta, trabalhos científicos de vários centros de pesquisas mundiais davam conta de uma síndrome que envolvia com obesidade abdominal, diabetes, alterações no perfil das gorduras no sangue, hipertensão arterial e maior predisposição às doenças cardiovasculares”, afirma a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva, diretora-clínica do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.
Fatos que coincidiam com a maior explosão do consumo dos alimentos ricos em gordura hidrogenada no mundo e, principalmente, na América do Norte. Justamente a gordura hidrogenada, que foi pesquisada como uma alternativa ao consumo da gordura saturada do bacon, da banha de porco e da picanha, sabidamente deletérios à saúde, em geral, e à cardiovascular, em especial.

“Não nos sentiríamos muito bem se presenciássemos a fabricação da gordura hidrogenada. Pensaríamos duas vezes antes de consumi-la, se pudéssemos ver aquele sebo escurecido, quase preto, originado do processo de hidrogenação”, diz a médica. Nele, o óleo vegetal, líquido à temperatura ambiente, claro e transparente, é submetido à alta pressão e temperatura em uma câmara com gás hidrogênio, gerando uma gordura sólida, enegrecida e muito fétida. Para ser utilizada na indústria de alimentos, esse sebo precisa ser alvejado e desodorizado.

Consumo responsável
O resultado é uma gordura com grande capacidade de aderência, que se solidifica nos alimentos após a fritura, cocção ou fornada, formando uma casquinha em volta dos alimentos, dando o agradável sabor da gordura e a prazerosa sensação do crocante ao ser ingerido. “Mas não devemos nos enganar, esse processo de rigidez passa a ocorrer também nos nossos vasos sanguíneos, deixando-os com menor capacidade de relaxamento e dilatação frente às mudanças hemodinâmicas”, explica a endocrinologista Ellen Simone Paiva.

Aliado às alterações da dinâmica vascular, as gorduras trans também causam elevação do LDL colesterol, ou colesterol ruim e redução do fator de proteção cardíaco, o HDL colesterol, ou colesterol bom. “Esse perfil de gorduras do sangue é extremante aterogênico, coincidente com a maior incidência da doença cardiovascular, principalmente o infarto agudo do miocárdio”, diz a especialista.

A recomendação para ingestão de gorduras trans é de cerca de 1% do valor calórico total da dieta, o que totaliza cerca de 2,0g de gordura trans por dia. “Desse total, 1,0g já é proveniente dos alimentos naturais, especialmente carne bovina e laticínios, restando apenas 1,0 g para ingerirmos a partir de alimentos industrializados”, informa a nutróloga.
Nos últimos anos, órgãos reguladores do mundo todo vêm normatizando a ingestão dos alimentos ricos em gorduras trans. “Estados Unidos e Brasil saíram na frente, determinando a inclusão no rótulo dos alimentos da quantidade de gordura trans que existe em cada um deles. Isso possibilitará uma compreensão mais ampla e segura da ingesta de gordura trans”, defende Ellen Paiva.

Fique atento, são ricos em gordura trans:


• Margarinas, quanto mais duras mais hidrogenadas
• Alimentos de fast foods, pois eles usam gordura trans em todas as frituras
• Pipoca de microondas
• Temperos prontos, em tabletes e em pó
• Sorvetes de massas, mesmo os light
• Chocolates, principalmente os diets
• Mistura para bolos e sopas
• Salgadinhos industrializados e embalados empacotes
• Biscoitos de todos os tipos, recheados e wafles,mas também os cream crackers
• Pães, principalmente os de massa doce
• Tortas e bolos prontos e semi-prontos
• Leites com achocolatados prontos.

“Ao ver essa lista enorme, parece impossível comer qualquer coisa e não se arrepender. Tudo parece proibido e arriscado. Na verdade, precisamos prestar atenção ao que comemos, na hora das refeições”, diz a médica.
A indústria de alimentos terá uma nova chance de se aperfeiçoar e evoluir, como aconteceu quando descobriram a gordura trans. Está claro que ela necessitará se adequar à nova ordem mundial. Dessa forma, poderá presentear-nos com alimentos de maior qualidade e também saborosos. Certamente, ela já começou essa busca...

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