Boas notícias para o tratamento de Alzheimer

Dr. César de Souza Lima Colaneri


Felizmente o ano de 2007 vai ser considerado um marco na luta contra o Alzheimer e outras demências. Neste ano quase que unanimemente, pesquisadores do mundo todo chegaram ao consenso de que o Mal de Alzheimer decorre de um distúrbio do metabolismo das gorduras a nível cerebral e é uma Doença Sindromica, ou seja, varias patologias se unindo para um mesmo dano nas células nervosas e para isso hoje a necessidade de tratamento por varias especialidades médicas. Não é só o neurologista que cuidada do Alzheimer, mas sim o Endocrinologista, o Geriatra, o Cardiologista e etc. Chegaram a esta conclusão ao analisar e descobrir que pacientes em tratamento de doenças coronarianas e de excesso de colesterol quase nunca tinham Alzheimer. O mesmo se deu quando do estudo de Diabéticos tipo II tratados e compensados. Descobriu-se também que uma dieta pobre em gorduras, principalmente as saturadas e hidrogenadas associadas a um pouco de exercício também mantinha nesses pacientes um nível muito baixo da doença de Alzheimer. Desde o ano de 2000, pacientes que tomavam estatinas ou a lovastatina, mesmo tendo um distúrbio genético com a presença aumentado do alelo APOE-4, que é o causador principal da doença, apresentavam baixos índices de Alzheimer ou outras demências. A incidência do Mal de Alzheimer nos paises ocidentais é quase maior que o dobro das dos paises orientais. O japonês no Japão tem três vezes menos chance de contrair a doença do que o que mora nos USA, devido aos hábitos alimentares, os estresses, a poluição e a inatividade física. Todos os fatores que levam ao aumento do colesterol, principalmente o “ruim” o LDL, ¹ diminuição do colesterol “bom” o HDL, as dietas super calóricas e ao estilo de vida ruim, são os principais fatores de risco do Alzheimer. Com esses estudos delineou-se um esquema mundial para a prevenção e possível tratamento do Mal de Alzheimer. Como os sintomas clássicos do Alzheimer aparecem até 10 anos após o início da doença, todo paciente acima de 50 anos, com discreta obesidade (ou barriquinha...) deve ser avaliado sob o ponto de vista dos níveis de colesterol, glicose e insulina no sangue, avaliação nutricional, da pratica de exercícios físicos e, caso tenham parentes com Alzheimer e tenham a presença destes fatores de risco, devem iniciar o tratamento com as sinvastatina precocemente. Caso a célula nervosa tenha sido lesada após anos de distúrbios metabólicos, provavelmente não haverá cura para o Alzheimer, mas se por acaso o tratamento for iniciado precocemente logo apos os primeiros sintomas, assim haverá regressão dos sintomas e cura para a doença. Outros parâmetros devem ser tratados, tais como a deficiências hormonais da meia idade, tanto masculinas com femininas, (principalmente a testosterona e o estradiol), deficiências da tireóide, distúrbios da insulina e do fígado. Uma boa dieta deve ter até 30% de gordura, principalmente à custa de Omega 3 ou óleo de peixe e totalmente isenta de gordura TRANS OU HIDROGENADA, até 40% de carboidratos e 30% de proteinas, principalmente de carnes brancas. Nela se possível deveria conter antioxidantes e minerais essenciais. A quantidade de exercício deve se ater a pelo menos o gasto de 300 calorias/dia (ou 2100 cal/semana), isso equivale a 30 a 45 minutos de caminhada em passos rápidos. O melhor tratamento para o Alzheimer é a prevenção. A mesma técnica usada para as doenças coronarianas deviam ser recomendadas a todos os pacientes acima de 50 anos. Caso isso ocorra teremos a chance de tratar o Mal do Alzheimer na sua fase precoce, pois se passarem 20 anos do início da doença, já haverá dano à célula nervosa, com difícil retorno mesmo a custas das células-tronco.

Ref.: Molecular Psychiatry (2006) 11, 721–736. doi:10.1038/sj.mp.4001854 e outros 238 trabalhos científicos

Informações
Dr. César de Souza Lima Colaneri,
CRM 20.675 Endocrinologista e Geriatra
Tel.: (11) 3884-8070
clinicacolaneri@itelefonica.com.br


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