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Glaucoma e Catarata
Comum em idosos, os tratamentos devem ser feitos logo que
os problemas forem identificados
 
 

 Keli Vasconcelos


"Saber que se tem uma doença sem cura é um choque". Esta foi a reação na época em que a advogada Elisabete Fruchi descobriu que tinha o glaucoma, mal que acomete 900 mil brasileiros, com idade acima de 40 anos, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

A lesão é caracterizada pelo aumento da pressão intra-ocular que atinge o nervo óptico, comprometendo a visão não apenas dos idosos, mas de pessoas de todas as idades.
 

Gradualmente, não se vê os objetos de lado, diminuindo a chamada visão bilateral. "Quando falamos do glaucoma primário de ângulo aberto, que está presente em 80% dos casos, só podemos detectá-lo num exame de rotina, para fazer óculos, quando se mede a pressão (tonometria) e avalia-se o nervo", relata a oftalmologista Regina Cele.

Hereditariedade, hipertensão, uso prolongado e indiscriminado de corticóides, diabetes e traumas, como a detecção tardia de catarata, são outros agravantes para o distúrbio. O tratamento constitui na aplicação de colírios e somente em casos mais graves se recorre à intervenção cirúrgica.

Em um consenso entre universidades e Organizações não-governamentais (ONGs), criou-se em 2000 a Associação Brasileira dos Portadores de Glaucoma Seus Amigos e Familiares (ABRAG), entidade que gera ações como a distribuição gratuita de materiais educativos, atividades psicoeducacionais e atendimentos promovidos por médicos e empresas farmacêuticas, presididas pela psicóloga Carla Ferracina. Hoje, Elisabete é a diretora-executiva da instituição e nas palestras usa artifícios como cones, cordas e ilustrações para simplificar sobre os indícios do aparecimento do glaucoma ao público. "Os idosos, em geral, percebem que tem problemas na visão por causa das quedas em casa ou na rua. Durante o exame uso tubos de papel para os pacientes observarem como seria a visão se estivessem com glaucoma em estágio avançado", comenta.

Um dos glaucomatosos associados, o aposentado Domingos Alves Cavalcante, de 76 anos, é um exemplo de alegria e superação. Soube em uma consulta rotineira que tinha a enfermidade e nem sabia o que era o glaucoma antes.

Entretanto, seu dia-a-dia não mudou. Continua fazendo suas compras, preparando o almoço e o café, com a mesma vitalidade. Apenas o controle com a medicação ficou mais rigoroso. "No começo tive uma dificuldade em administrar tudo, mas depois que uma das minhas filhas fez uma tabelinha de horários, me adaptei", conta. E aconselha. "É necessário usar os remédios exatamente como o médico mandou, senão podemos perder a visão. Sempre retornar para as consultas e utilizar os colírios nas horas certas, todos os dias e sem interromper".

Catarata

Outro distúrbio que ocorre, em especial, na população acima de 60 anos é a catarata. Causada por uma opacificação do cristalino, membrana transparente localizada na parte anterior dos olhos, a projeção das imagens na retina perde a nitidez e o campo visível fica mais borrado. "Os sintomas são mais fáceis de detectar, pois o paciente fica com baixa da acuidade visual. Quanto mais avançada estiver a catarata, mais ‘neblinada' estará a visão", explica a oftalmologista Regina Cele.

O único método eficaz é cirurgia para colocação de lentes intra-oculares artificiais transparentes, tendo como técnica mais moderna, segundo a comunidade médica, a Facoemulsificação. A lente pode ter o grau necessário para corrigir o defeito conhecido como refracional (miopia e hipermetropia), explica o médico Homero Gusmão de Almeida, presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intra-oculares (SBCII). "Antigamente, paciente pós-operado era obrigado a utilizar óculos de alto grau. Hoje é possível colocar lentes que substituem o cristalino e ainda ficar livres dos óculos. Deve-se abandonar aquele antigo conceito de deixar a catarata ‘amadurecer' para operá-la. Quanto mais cedo for feita a cirurgia, mais segura e precoce será a reabilitação".

Cerca de 80% dos indivíduos acima de 80 anos são candidatos à operação de catarata, apontam números da SBCII. Entretanto, as estatísticas de cirurgias realizadas no país são ainda poucas. Gusmão de Almeida completa. "A freqüência da cirurgia de catarata é de 350 mil ao ano. No entanto, há uma demanda reprimida de 150 mil pessoas não atendidas anualmente".

No Dia Nacional de Combate a Catarata e Glaucoma, 26 de maio, são realizados mutirões de exames e cirurgias, além de congressos em que profissionais discutem novas tecnologias no setor.

Mas, o principal antídoto para manter a qualidade de vida do idoso e não esmorecer diante dessas disfunções é a conscientização. Não negligenciar a ida ao oftalmologista, seguir as recomendações médicas, ser responsável e receber apoio dos familiares são mais um passo a ser dado para continuar ver com outros olhos o mundo que o cerca. Literalmente.